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A difícil arte do prazer feminino

CES 2019 censura mulheres com tema já abordado em série da Netflix

Cena de “Grace and Frankie”

Enquanto lia algumas notícias sobre a CES 2019 (Consumer Electronics Show), maior feira de eletrônicos do mundo, vi que a organização do evento, realizado em Las Vegas, deu um prêmio de inovação tecnológica para um “dildo”. Porém, a mesma organização voltou atrás, retirou a homenagem e proibiu o aparelho de ser exposto, justificando não ter espaço para aparelhos “imorais, obscenos, indecentes ou profanos”.

O posicionamento da feira é contraditório, pois, em 2016, premiou um vibrador que vibrava no ritmo da música tocada no iPod da usuária e, remodelado, o aparelho está de volta nesta edição do evento. Ou seja, a CES considera os vibradores como uma categoria de produto. Já em 2017, a organização liberou a exibição de realidade virtual para a indústria pornográfica e, no ano passado, a novidade foi um robô sexual direcionado a homens.

A fabricante do vibrador proibido, Lora DiCarlo – empresa conduzida apenas por engenheiras – classificou a decisão de machista.

Coincidência ou não, a situação me lembrou a terceira temporada da série “Grace and Frankie”, que abordou algo semelhante com bastante leveza. As protagonistas desenvolvem um vibrador com anatomia mais receptiva e de melhor manuseio por mulheres mais velhas e com artrite. A ideia é revolucionar o mercado e comercializar o produto, mas elas precisam lidar com empresários e uma sociedade que as julgam por serem solteiras na terceira idade.

Cena de “Grace and Frankie”

Quando foi lançada pela Netflix, em 2015, a série “Grace and Frankie” logo despertou a curiosidade do público por conta do humor qualidade, ser protagonizada por um elenco veterano com mais de 70 anos e trazer uma reflexão sobre os prós e contras da terceira idade. Inclusive, a ideia de Marta Kauffman e Howard J. Morris era atingir o público a faixa etária apresentando situações cotidianas de duas famílias que passam por uma reestruturação após os patriarcas se assumirem gays.

Martin Sheen, Jane Fonda, Lily Tomlin e Sam Waterston

A partir daí a história abre um leque de assuntos para serem explorados com leveza, humor e drama nas doses certas, sem beirar o exagero e o piegas e com duas protagonistas provando ao mundo, e a elas mesmas, que a vida não acaba quando se fica mais velho.

Essa abordagem madura, sem rodeios e muito bem dosada fez a série sair de uma “simples curiosidade” para cair nas graças de públicos de todas as idades e chegar em sua quinta temporada, com estreia prevista para o dia 18 de janeiro.

Assista ao trailer da nova temporada de “Grace and Frankie”.

Jornalista, 37 anos, produtor de conteúdo digital e audiovisual. Ser humano viciado em séries, filmes, HQs e músicas. Devoto fervoroso de Batman!